
Apesar de o sexo facilmente fazer parte de rodas de conversa entre homens, a sexualidade feminina foi (e para muitas pessoas continua sendo) um assunto proibido.
Isso porque muitas mulheres ainda não sentem confiança e conforto para falar sobre o assunto.
Acontece que esse tanto de tabu, além de prejudicar momentos de prazer, impacta negativamente na saúde feminina, na forma como as meninas são criadas e até mesmo em dados sobre a violência doméstica.
E o primeiro passo para mudar esse cenário pode ser tão simples quanto falar sobre isso.
Ler conteúdo de qualidade, conversar com pessoas que você confia, ser curiosa, conhecer você mesma, e o que seu corpo tem a dizer, pode fazer toda a diferença.
Pensando nisso, preparamos este artigo com algumas informações sobre sexualidade, a sua importância e mitos e verdades sobre o tema.
Vem saber mais!
Por que a sexualidade feminina ainda é um tabu
Isso acontece por vários motivos. Por exemplo:
- Culturais: por muito tempo, para as mulheres, a relação sexual era uma prática exclusivamente relacionada à reprodução;
- Religiosos: com a proibição do sexo antes do casamento e a mulher servindo apenas para dar prazer ao seu marido;
- Psíquicos: por conta de uma pressão da sociedade por um corpo perfeito, impactando na autoestima e segurança feminina;
- Motivos relacionados à ciência e inovação: como o fato de a pílula anticoncepcional ter sido criada apenas no século XX.
Os principais tabus relacionados à sexualidade feminina
Apesar de a evolução do movimento feminista ter ajudado a quebrar alguns tabus relacionados à sexualidade feminina, muitas de nós ainda encontramos dificuldade em falar sobre o tema.
Isso pode ter repercussões significativas em nossa vida sexual, afetando até mesmo práticas tão individuais quanto a masturbação.
Uma pesquisa conduzida pelo Projeto Sexualidade (ProSex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, mostra que 40% das mulheres nunca tocaram seu próprio corpo.
O cheiro e aparência da vulva também causa constrangimento para muitas. Fora a pressão – interna e externa – por um “corpo perfeito”, sem celulite, estrias e gorduras.
Compreensivelmente, esses tabus e pressões sociais podem levar muitas a sentirem-se desconfortáveis em expressar suas necessidades e desejos sexuais de maneira aberta e honesta.
Segundo o estudo chamado de Prazer Feminino e conduzido pela Hibou – empresa de pesquisa e insights de mercado e consumo, 79% das mulheres já fingiram orgasmo.
Dados como esses falam um pouco sobre a carência relacionada à educação sexual, impactando negativamente na experiência que algumas de nós temos como o sexo.
A sexualidade feminina é importante para a mulher
Não é só a gente que está falando: a sexualidade é considerada um dos pilares da qualidade de vida pela OMS – Organização Mundial de Saúde.
Mas isso vai muito além da relação sexual em si.
A sexualidade tem a ver com o modo como nos vemos, nos sentimos e nos tocamos.
Como falamos anteriormente, tem relação com a educação sexual, com o conhecimento e reconhecimento de possíveis traumas e abusos.
Fora isso, a sexualidade feminina proporciona uma série de benefícios atrelados à saúde, bem-estar e qualidade de vida.
A relação entre a sexualidade feminina e saúde da mulher
- A relação sexual, e o tão esperado orgasmo, ajudam a liberar endorfina, hormônio que reduz a sensação de dor e melhora o humor, autoestima e bem-estar.
- A partir dos neurotransmissores liberados durante o sexo, é possível ter uma noite de sono muito mais tranquila, com relaxamento prolongado.
- O cortisol, principal hormônio relacionado ao estresse, tem ação reduzida no orgasmo, proporcionando calma e relaxamento.
- A masturbação pode ser incluída na rotina de cuidados corporais, seja para alívio de cólicas e dores menstruais, aumento da sensação de bem-estar e promoção do autoconhecimento.
A lista é longa, mas a gente tem uma dica importante para considerar aqui. Todos esses benefícios só serão efetivos com a realização de sexo seguro.
Por isso, consulte o seu ou sua ginecologista e faça exames regularmente, além de usar preservativo para evitar ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e gravidez indesejada.
Além disso, cuide da sua saúde íntima com o uso de espumas e sabonetes íntimos.
Mitos e verdades sobre a sexualidade feminina
E para quebrar mais alguns tabus, desmistificamos algumas concepções sobre o assunto.
Vem ver:
A masturbação atrapalha o sexo a dois
Mito! Muito pelo contrário, ela pode deixar tudo ainda melhor.
Isso porque, por meio da masturbação, é possível conhecer quais áreas do corpo provocam maior excitação e aumentam a libido, melhorando a sensação de prazer.
Mulheres têm menos desejo sexual que os homens
Estatisticamente isso é verdade, mas não é um fato que deve ser considerado para restringir a sexualidade feminina.
Para as mulheres, o desejo é mais complexo e abrangente do que para os homens, com diversos pontos de estimulação e sensibilidade.
Além disso, uma série de fatores sociais e psicológicos influenciam nesse aspecto.
Mulheres têm dificuldade de alcançar o orgasmo
Nem sempre! Quanto melhor a mulher conhecer a si mesma e ao seu corpo, mais fácil é chegar no orgasmo.
Além disso, fora o clitóris, vários outros locais do corpo podem ser estimulados, despertando libido e contribuindo com essa sensação, como lábios, virilha, ânus, seios, etc.
Mulheres não ejaculam
Algumas sim! A diferença é que a ejaculação feminina não precisa estar relacionada ao orgasmo. E não é essencial para a mulher ter prazer durante a relação sexual.
Espalhe a palavra da sexualidade feminina
Ao abordar esse assunto sem tabus, esperamos encorajar as mulheres a explorarem sua própria sexualidade com confiança, autoconhecimento e liberdade.
Convidamos você, que de alguma forma foi impactada por este artigo, a fazer o mesmo.
Olhar para a sexualidade feminina com outros olhos e discutir sobre o assunto também é uma forma de cuidar de si mesma.
Para ficar por dentro de outras informações e dicas sobre a saúde íntima da mulher, continue acompanhando a Int.Me, no nosso blog e redes sociais.
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